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O cartão de R$ 70 que segura a gravação quando a internet cai

A câmera interna grava no cartão quando o Wi-Fi some, mas só o modelo de vigilância aguenta regravar dia e noite sem estragar o arquivo.

Cartão de memória de vigilância encaixado na lateral de uma câmera interna sobre a estante da sala.

O cartão que grava quando o Wi-Fi cai

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Terça-feira, três da tarde. A operadora fez manutenção no bairro, o roteador piscou laranja por duas horas e ninguém em casa percebeu. À noite, alguém abre o aplicativo da câmera da sala para conferir a chegada do cachorro do passeio, e a linha do tempo mostra um buraco cinza entre uma e três da tarde.

A nuvem não gravou porque não havia internet. Restava o cartão de memória, enfiado na lateral da câmera desde a instalação, e o aplicativo responde com uma mensagem seca: arquivo danificado, não é possível reproduzir.

O cartão estava lá, a câmera estava ligada, e mesmo assim o vídeo daquelas duas horas não abre. Quem montou a câmera usou o cartão que sobrou do celular antigo, de 64 gigas, comprado em promoção de supermercado.

A câmera fez a parte dela. Quando o Wi-Fi caiu, continuou filmando e mandou tudo para o cartão, como manda todo dia, a toda hora, em ciclo: quando a memória enche, ela apaga o trecho mais antigo e escreve o novo por cima.

Esse ciclo sem pausa é o trabalho mais pesado que um cartão de memória pode receber. O cartão de celular foi feito para outra rotina: guardar uma foto aqui, um vídeo de aniversário ali, e passar a maior parte do tempo parado.

Na câmera, ele nunca descansa. Cada minuto de vídeo apaga e regrava a mesma área da memória, e as células que guardam os dados vão cansando. Um dia, a gravação falha no meio do arquivo, e o vídeo vira um pedaço que nenhum aplicativo consegue abrir.

Existe um cartão feito para esse serviço. Ele leva na embalagem o selo High Endurance (alta resistência) ou a palavra vigilância, custa pouco acima do comum e suporta a regravação contínua por anos.

A primeira seção mostra o que muda por dentro desse cartão, quanto ele custa e o que procurar no rótulo antes de pagar.

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I  Abaixo de Cem

A célula que cansa de regravar

O cartão de memória guarda os dados numa memória flash NAND (o chip que retém a informação mesmo sem energia). Ela é feita de milhões de células minúsculas, e cada célula aguenta um número limitado de ciclos de apagar e regravar antes de começar a errar.

O cartão comum de celular usa células que empilham três ou quatro bits cada uma, para caber muita memória num chip barato. Essa densidade cobra um preço: cada célula suporta menos regravações antes de perder a precisão.

Para quem tira foto, a conta nunca aparece. O celular escreve alguns gigas por mês, e o cartão dura a vida inteira do aparelho. A câmera de casa, gravando em alta definição o dia todo, escreve vários gigas por dia na mesma memória.

O cartão de vigilância usa células escolhidas e configuradas para durar mais regravações. O controlador (o pequeno processador dentro do cartão que decide onde cada dado vai) também espalha a escrita por todo o chip, para nenhuma área cansar antes das outras.

O QUE O RÓTULO PRECISA DIZER

A primeira palavra a procurar é High Endurance, Max Endurance ou vigilância. Os grandes fabricantes vendem linhas com esses nomes, e a embalagem costuma trazer as horas de vídeo que o cartão aguenta gravar.

O segundo dado é a classe de velocidade. Procure U3 ou V30 (os símbolos que garantem escrita mínima de 30 megabytes por segundo). A câmera de casa grava bem abaixo disso, mas a classe alta evita que o cartão engasgue quando o vídeo pesa mais.

O terceiro dado é a capacidade aceita pela câmera. A maioria dos modelos para casa aceita até 128 gigas, e alguns até 256. Cartão maior que o limite simplesmente não é reconhecido.

O cartão de vigilância de 64 gigas custa entre R$ 60 e R$ 90 nas lojas de informática e nos marketplaces brasileiros, pouco acima do comum da mesma capacidade.

POR QUE O ARQUIVO QUEBRA

O vídeo da câmera fica guardado em blocos, e uma tabela no começo do cartão anota onde cada bloco está, como o índice de um livro. Quando uma célula cansada erra a escrita, o bloco sai torto ou a tabela fica sem a anotação.

O aplicativo tenta abrir o vídeo, procura o índice, não encontra o pedaço que falta e desiste. O erro aparece como arquivo danificado, e não como vídeo com um trecho ruim, porque sem o índice o vídeo inteiro fica sem mapa.

 
 

II  A Rotina do Dia

A rotina do cartão na câmera

A câmera grava no cartão em dois modos. No modo contínuo, ela filma sem parar e regrava em ciclo. No modo por movimento, ela só grava quando algo se mexe na frente da lente, e o cartão trabalha bem menos.

Para quem quer o registro inteiro do dia de casa vazia, o modo contínuo cobre tudo. Nesse caso, o cartão de vigilância é obrigatório. No modo por movimento, o comum aguenta mais tempo, mas ainda cansa.

A INSTALAÇÃO CERTA

1Desligue a câmera da tomada antes de colocar ou tirar o cartão, para não interromper uma gravação no meio.
2Encaixe o cartão com o contato dourado virado para o lado indicado na própria câmera, até ouvir o clique.
3Ligue a câmera e formate o cartão pelo aplicativo dela, na tela de armazenamento. A formatação feita pela câmera organiza o cartão do jeito que ela espera ler.
4Escolha o modo de gravação: contínuo para cobrir tudo, por movimento para poupar o cartão.
5Desligue o Wi-Fi do roteador por cinco minutos e depois confira no aplicativo se o trecho sem internet aparece gravado.

O quinto passo é o teste que quase ninguém faz. Ele prova, na sua casa, que a câmera muda para o cartão quando o sinal cai, antes do dia em que a gravação vai importar.

Formate o cartão pela câmera, nunca pelo computador: o formato escolhido pelo computador pode não ser o que a câmera sabe ler, e ela grava sem conseguir reproduzir.

A MANUTENÇÃO DO MÊS

Uma vez ao mês, abra o aplicativo e assista a um trecho qualquer gravado no cartão. Se o vídeo abre e roda até o fim, o cartão está saudável.

A cada três meses, formate o cartão pela câmera. Ela apaga tudo e reorganiza o índice, o que limpa os pequenos erros acumulados. Baixe antes os trechos que quiser guardar.

Fique atento aos sinais de cansaço: vídeo que trava sempre no mesmo minuto, aviso de cartão não reconhecido depois de reiniciar a câmera, ou formatação que não termina. Com qualquer um deles, troque o cartão.

 

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III  Vale Agora?

Quando o cartão comum ainda serve

O cartão de vigilância vale a compra para quem deixa a câmera em modo contínuo, mora em bairro onde a internet cai com frequência ou depende da gravação para conferir a casa vazia no trabalho.

O cartão comum ainda serve na câmera que grava só por movimento, num cômodo de pouca passagem. Ele cansa devagar, e a troca a cada um ou dois anos sai mais barata que o modelo de vigilância.

Mesmo assim, a diferença de preço entre os dois é pequena para a capacidade de 64 gigas. Na hora da compra, o cartão certo custa uma pizza a mais e poupa o dia do arquivo que não abre.

QUANDO O CARTÃO NÃO RESOLVE

A câmera sem energia não grava em lugar nenhum. Se a queda de internet vem junto com a falta de luz no bairro, o cartão fica parado como o resto da casa. Nesse caso, a solução passa por um nobreak (a bateria que segura os aparelhos ligados por alguns minutos sem luz) na tomada da câmera e do roteador.

A câmera que alguém leva embora leva o cartão junto. Para registro que precisa sobreviver a um furto, o cartão completa a nuvem, mas não ocupa o lugar dela.

Cartão falsificado engana até o rótulo. Desconfie de preço muito abaixo da média, de vendedor sem histórico e de embalagem sem lacre. Compre em loja oficial do fabricante ou em revenda com nota fiscal.

Ao receber, coloque o cartão no computador e confira se a capacidade mostrada bate com a da embalagem. Cartão falso costuma anunciar 128 gigas e mostrar bem menos, ou aceitar a cópia e devolver arquivo vazio na leitura.

QUANTOS DIAS CABEM NO CARTÃO

A câmera de casa em alta definição grava algo entre 10 e 20 gigas por dia em modo contínuo, conforme a resolução e a compressão, informadas no manual do próprio aparelho. Com 64 gigas, o cartão guarda de três a seis dias antes de começar a regravar por cima.

Com 128 gigas, a janela dobra. Para quem viaja no fim de semana, a capacidade maior garante que a sexta-feira ainda esteja no cartão quando você voltar na segunda.

Para câmera em modo contínuo, o cartão de vigilância de 64 ou 128 gigas vale a compra agora. Para câmera que grava só por movimento, o comum aguenta, desde que você assista a um trecho todo mês.

Na nossa opinião, o passo de hoje é tirar o cartão da câmera, ler o rótulo e procurar as palavras High Endurance ou vigilância. Se não estiverem lá, o cartão dentro da sua câmera foi feito para fotos de celular.

“Na sua casa, o cartão da câmera já mostrou algum vídeo que não abriu?”

 
 
 

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AEntre R$ 20 e R$ 40
BEntre R$ 60 e R$ 90
CEntre R$ 120 e R$ 150
DEntre R$ 180 e R$ 200

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