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Domingo, quatro da tarde. O livro está aberto no capítulo bom, a xícara de café esfria no braço do sofá, e a sala inteira fica escura de repente. Ninguém tocou no interruptor.
O morador levanta o braço, abana a mão no ar como quem espanta mosquito, e a lâmpada acende de novo. Dois minutos depois, no meio de uma página, apaga outra vez. A cena se repete até alguém desistir da automação e voltar a ler com a luz ligada na parede.
O culpado mora num canto do teto: o sensor de movimento instalado meses antes para a luz da sala acender sozinha quando alguém entra. Na entrada ele funciona muito bem. O problema começa quando a pessoa fica.
A maior parte desses sensores baratos trabalha com infravermelho passivo, a tecnologia que percebe calor em deslocamento. O corpo humano é mais quente que o sofá, a parede e o tapete, e o sensor enxerga essa mancha de calor passando de uma zona para outra do campo de visão. Enquanto ela se move, a luz fica acesa.
Quem lê quase não se move. Os olhos correm pela linha, os dedos viram a página de vez em quando, o resto do corpo fica parado por minutos. Para o sensor, uma pessoa imóvel no sofá some do mapa, igual a uma almofada morna.
Sem movimento, o sensor começa a contar o tempo de desligar, o intervalo que ele espera antes de mandar a luz apagar. Na configuração de fábrica de muitos modelos, esse tempo fica entre um e dois minutos, pensado para corredor e banheiro, onde ninguém se demora.
Existe um sensor que enxerga gente parada, o de presença por radar, e ele resolve o problema pela raiz. Só que custa mais de cem reais na maioria das lojas brasileiras, e a sala já tem um sensor funcionando no teto.
A saída mais barata está num número do aplicativo. A seção abaixo mostra onde ele fica e quanto subir.
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I Abaixo de Cem
O número que o sensor esconde no aplicativo
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O ajuste se chama tempo de desligar, e o nome muda de aplicativo para aplicativo. No Smart Life e no Tuya (os dois aplicativos que controlam a maior parte dos sensores genéricos vendidos no Brasil), ele aparece como tempo de ausência ou intervalo sem movimento. Na Alexa, mora dentro da própria rotina da luz.
Antes de mexer, vale saber onde a decisão de apagar acontece. Em alguns sensores, o próprio aparelho decide, e o número fica nas configurações dele. Em outros, o sensor só avisa que viu ou deixou de ver movimento, e quem apaga é uma rotina do aplicativo.
ONDE PROCURAR O AJUSTE
No Smart Life, abra o sensor, toque no ícone de lápis no canto da tela e procure Configurações do dispositivo. Nos modelos com o ajuste no aparelho, a lista traz opções de tempo prontas, e a mais longa costuma passar de cinco minutos.
Se o sensor não traz a lista, a contagem está na automação. Abra a aba Cenas, encontre a automação que apaga a luz da sala e veja a condição. Ela deve dizer algo como sem movimento por 1 minuto. Esse é o número a trocar.
O valor que funciona para leitura fica em 10 minutos. Em dez minutos de leitura, quase todo leitor vira a página, cruza a perna ou estica o braço para pegar a xícara, e cada um desses gestos zera a contagem do sensor.
Com 10 minutos de espera, a luz sobrevive ao capítulo inteiro e ainda apaga sozinha quando a sala esvazia. O preço é a lâmpada acesa por alguns minutos a mais depois que o último morador sai.
A POSIÇÃO NO TETO TAMBÉM CONTA
O infravermelho passivo enxerga melhor o calor que cruza o campo de visão de lado. O calor que vem de frente, na direção do sensor, demora mais a ser notado. Um sensor apontado para a porta vê bem quem entra e mal quem está no sofá.
Se o aparelho tem base giratória, vire a lente para que o sofá fique atravessado no campo de visão, nunca bem de frente. O braço que vira a página passa a cruzar zonas diferentes, e o sensor percebe gestos menores.
Mark Weiser, cientista da computação do centro de pesquisa Xerox PARC, escreveu no artigo The Computer for the 21st Century (O computador do século 21), publicado na Scientific American em 1991, que as tecnologias mais profundas são as que desaparecem no tecido da vida diária. |
O sensor que apaga a sala no meio da leitura é o oposto dessa ideia: aparece justo na hora em que deveria sumir. O ajuste de tempo devolve ao aparelho o papel de não ser notado. Com ele feito, falta montar a rotina que separa o dia da noite.
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II A Rotina do Dia
A rotina que lê o relógio antes de apagar
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O tempo de desligar longo resolve a leitura e cria um custo pequeno na madrugada: a luz que fica acesa dez minutos depois que a casa vai dormir. A rotina da Alexa permite usar tempos diferentes conforme a hora, e o sensor que já está no teto continua o mesmo.
O sensor precisa estar conectado à Alexa, pela skill (o complemento que liga a Alexa a um serviço externo) Smart Life ou pela integração direta da marca. Depois de ativar a skill, peça à Alexa para descobrir dispositivos, e o sensor aparece na lista da casa.
A ROTINA DA SALA EM DOIS TEMPOS
| 1 | No aplicativo Alexa, abra Mais, Rotinas e crie uma rotina nova chamada Luz da sala acende. No gatilho, escolha Casa inteligente, selecione o sensor e marque Movimento detectado. |
| 2 | Na ação, escolha a luz da sala e marque Ligar. Se a lâmpada aceita brilho, deixe em 70%, o bastante para leitura sem ofuscar a tela da TV. |
| 3 | Crie uma segunda rotina chamada Sala vazia de dia. No gatilho, escolha o sensor e marque Sem movimento detectado, com o tempo de 10 minutos. |
| 4 | Em Adicionar condição, escolha Horário e limite essa rotina das 7h às 22h. Na ação, mande apagar a luz da sala. |
| 5 | Crie uma terceira rotina, Sala vazia de noite, igual à anterior, com 3 minutos de espera e horário das 22h às 7h. |
| 6 | Teste sentado no sofá, com um livro, sem se mexer de propósito. Se a luz ficar acesa durante uma leitura de quinze minutos, a rotina está pronta. |
A condição de horário divide a sala em dois sensores sem comprar o segundo. De dia, o leitor tem dez minutos de folga; de noite, a luz esquecida apaga em três.
QUANDO A LUZ AINDA APAGA
Se a luz continua apagando no meio da página, confira se a automação antiga do Smart Life ainda está ativa. Duas regras mandando na mesma lâmpada brigam, e vence a mais curta. Desative a antiga na aba Cenas, deixando só as rotinas da Alexa.
Outro motivo frequente é a sensibilidade baixa. Muitos sensores trazem um ajuste de sensibilidade com três níveis, e a fábrica escolhe o médio. No nível alto, o sensor percebe a mão virando a página a três ou quatro metros de distância.
O sensor perto da janela engana de outro jeito. O sol da tarde esquenta a cortina e o piso, e a mudança de calor confunde a leitura do infravermelho. Afastar a lente da janela tira esse falso aviso da conta.
Com a rotina em dois tempos funcionando, resta saber quando vale pagar pelo sensor que enxerga gente parada.
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