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A fita LED só aceita corte na marca da tesoura
Fora da marca, o trecho cortado apaga, e a medida do móvel sai da trena com o adesivo ainda protegido pelo papel.
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Fita LED cortada na marca da tesoura
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A fita LED chegou numa caixa que cabe na palma da mão: cinco metros enrolados num carretel, um controlador preto com antena, uma fonte de doze volts e um código para baixar o aplicativo. O plano da noite parecia simples. A fita ia contornar a parte de baixo do armário suspenso da cozinha, que mede um metro e oitenta, e a sobra seguia para trás da televisão.
Quem montou fez do jeito que parece lógico. Descolou o papel do adesivo, colou a fita rente à borda do armário, puxou até a quina e cortou com a tesoura de cozinha exatamente onde a madeira terminava. Ligou o controlador na tomada, abriu o aplicativo e escolheu branco quente.
O armário acendeu quase inteiro. Nos últimos quatro centímetros, perto da quina, três pontinhos ficaram apagados. Trocar a cor no aplicativo não mudou nada, e desligar a fonte da tomada também não. Os três LEDs da ponta estavam intactos, sem mancha de queimado, e mesmo assim não davam sinal de vida.
O pedaço que ficou no carretel, com pouco mais de três metros, tinha o problema inverso: começava com três LEDs mortos, grudados num trecho que só acenderia se recebesse energia por outro caminho. E o adesivo do armário, puxado para corrigir, já não colava com a firmeza da primeira vez.
A explicação estava impressa na própria fita, a cada poucos centímetros: um desenho minúsculo de tesoura, sobre quatro quadradinhos de cobre. A fita não é um fio contínuo de luz. Ela é uma fileira de pequenos circuitos independentes, cada um com seus LEDs e seu resistor, e só a marca separa um circuito do vizinho sem estragar nenhum.
A correção custa pouco, e o jeito certo de medir cabe numa noite. Começa pelo que a caixa barata traz por dentro e pelo que a marca da tesoura esconde.
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I Abaixo de Cem
O circuito escondido entre duas tesouras
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O kit de cinco metros com aplicativo que ocupa as prateleiras das lojas grandes segue quase sempre o mesmo desenho: tensão de doze volts, LEDs 5050 (chips de cinco por cinco milímetros com três cores dentro) e um controlador de wi-fi ou Bluetooth preso na ponta. O conjunto com fonte e controlador costuma sair entre sessenta e noventa reais.
Doze volts não chegam inteiros a cada LED. Cada chip consome em torno de três volts para acender, então a fábrica liga três deles em série (um atrás do outro, no mesmo caminho de corrente) e põe um resistor (peça que freia a corrente) para absorver a sobra. Esse trio com seu resistor é a menor unidade que funciona sozinha.
POR QUE A FITA ANDA DE TRÊS EM TRÊS
Paul Horowitz e Winfield Hill, em The Art of Electronics, de 1980, tratam o resistor em série como a peça que limita a corrente de um LED, porque o diodo sozinho não controla quanto puxa da fonte. |
Na fita de trinta LEDs por metro, cada trio ocupa dez centímetros. Na de sessenta por metro, cinco. A marca da tesoura fica exatamente na divisa de dois trios, onde os quatro quadradinhos de cobre (as ilhas de solda, uma para o positivo e três para as cores) permitem religar o trecho depois.
Cortar fora da marca não queima a fita inteira: apaga só o trio que ficou sem o caminho completo. A corrente entra pelo positivo, atravessa os três LEDs e volta pela trilha da cor. Com a tesoura no meio do trio, esse caminho some nos dois pedaços, e os LEDs daquele grupo ficam escuros dos dois lados do corte.
Foi o que aconteceu na cozinha: ela perdeu três pontos no armário e três no carretel. Nenhum dos dois volta a acender com conserto caseiro razoável. No armário, a saída é aceitar a ponta escura ou recolocar um trecho novo. No carretel, basta cortar de novo na primeira marca depois dos LEDs mortos, sacrificando dez centímetros.
A regra muda conforme a tensão. Fita de vinte e quatro volts agrupa seis LEDs por circuito, e as marcas ficam mais espaçadas. Fita endereçável de cinco volts (em que cada LED recebe ordem própria do controlador) aceita corte entre qualquer par de LEDs. A tensão vem impressa no carretel e na própria fita, perto das ilhas.
Existe ainda a direção. A fita tem setas miúdas indicando por onde entra o sinal, e o controlador fica sempre na ponta de onde as setas partem. O pedaço cortado da outra extremidade não tem controlador nenhum e só acende com conector e alimentação próprios.
Com a lógica do trio na cabeça, medir deixa de ser palpite e vira conta.
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II A Rotina do Dia
Trena, caneta e a fita ainda no papel
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A montagem certa troca a ordem da primeira tentativa: a fita só perde o papel do adesivo depois que o corte está decidido e testado. O trabalho inteiro leva uns vinte minutos para um armário de cozinha.
A MONTAGEM EM CINCO PASSOS
| 1 | Meça com a trena o trecho do móvel onde a luz vai ficar e anote em centímetros. Marque também onde está a tomada, porque o controlador precisa alcançá-la com o cabo que veio na caixa. |
| 2 | Desenrole a fita sem descolar nada e deite-a sobre o móvel, com a ponta do controlador do lado da tomada. Segure com dois pedaços de fita-crepe para ela não escorregar. |
| 3 | Procure a marca da tesoura mais próxima do fim da medida, sempre antes da quina, nunca depois. Faça um traço de caneta na marca. A ponta do móvel fica com, no máximo, um trio sem luz, que quase ninguém percebe olhando de frente. |
| 4 | Ligue o controlador na tomada com a fita ainda solta e acenda pelo aplicativo. O teste confirma que o carretel veio inteiro da fábrica, antes que o adesivo seja desperdiçado. |
| 5 | Desligue, corte bem no centro da marca, sobre a linha que divide as ilhas de cobre, com tesoura afiada e num golpe só. Limpe a madeira com álcool isopropílico, espere secar e só então descole o papel, pressionando a fita por trinta segundos a cada palmo. |
A medida decide onde a fita acaba, e a marca decide o comprimento que ela pode ter: quando as duas discordam, vence a marca. Ceder cinco centímetros de luz na quina custa menos do que perder um trio e o adesivo de um trecho.
A quina pede atenção própria. Fita comum dobra em ângulo reto se for virada sobre si mesma, formando uma prega de quarenta e cinco graus, sem corte nenhum. Quem prefere cortar precisa de um conector em L, que liga as ilhas das duas pontas.
A superfície também conta. Madeira com verniz, vidro e azulejo seguram bem depois da limpeza. Madeira crua, parede pintada com tinta fosca e superfície engordurada perto do fogão soltam em poucas semanas, e um perfil de alumínio parafusado resolve, além de ajudar a fita a dissipar calor.
A sobra do carretel continua útil. Cortada na marca, vira luz de estante ou de cabeceira, desde que ganhe um conector e uma fonte que alcance a outra tomada.
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