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ED 016
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A lâmpada inteligente some dentro do plafon de metal

O alumínio barra o sinal do roteador e a cúpula fechada cozinha a eletrônica, então uma lâmpada de teste vem antes das seis do teto.

Plafon de alumínio com vidro fosco fechado no teto da sala, lâmpadas inteligentes acesas pela metade e o celular mostrando aparelhos desconectados.

Plafon de alumínio, lâmpada fora do app

 

O plafon novo da sala tinha seis soquetes, cúpula de alumínio escovado e um vidro fosco que fecha por baixo com três parafusos. O morador comprou seis lâmpadas inteligentes numa promoção, pareou todas na mesa da cozinha em dez minutos e subiu na escada satisfeito. Na mesa, com o roteador a quatro metros, o aplicativo mostrava as seis conectadas.

Com o vidro parafusado, o aplicativo passou a mostrar três. Na manhã seguinte, duas. A cena de jantar acendia metade do teto, e o assistente de voz respondia que o dispositivo não estava disponível. Desparafusado o vidro, as seis voltavam em poucos segundos, como se nada tivesse acontecido. O roteador seguia no lugar de sempre, na estante da televisão, e o celular pegava sinal cheio bem embaixo do plafon.

No fim de semana apareceu a segunda pista. Quem tirou o vidro depois de uma noite de filme sentiu a cúpula quente na palma da mão, e a lâmpada do soquete central, cercada pelas outras cinco, estava mais quente que todas.

Duas falhas diferentes moravam dentro da mesma luminária. A primeira é de rádio: a lâmpada conversa com o roteador por ondas, e uma casca de metal em volta dela funciona como espelho para essas ondas. A segunda é de temperatura: a lâmpada inteligente leva uma pequena placa eletrônica no pescoço, logo acima da rosca, e uma cúpula fechada prende o calor exatamente ali.

Nenhuma das duas falhas aparece na embalagem com destaque, e nenhuma se revela na mesa da cozinha, que é onde quase todo mundo testa lâmpada nova. Elas só surgem com o vidro no lugar, o teto montado e o dinheiro das seis já gasto na loja.

A saída mais barata cabe numa lâmpada só, testada no soquete certo, e começa por entender por que o metal esconde o aparelho do roteador.

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I  Abaixo de Cem

O metal que devolve o sinal ao roteador

A lâmpada inteligente de wi-fi fala com o roteador na faixa de 2,4 GHz (a frequência de rádio mais usada por aparelhos domésticos), com ondas de cerca de doze centímetros de comprimento. Essas ondas atravessam gesso, madeira e vidro perdendo um pouco de força, mas batem no metal e voltam, como luz num espelho.

Um plafon de alumínio com vidro fechado vira uma versão caseira da gaiola de Faraday (invólucro condutor que barra a passagem de ondas eletromagnéticas). Ele não precisa ser perfeito para atrapalhar: basta cercar a antena por cima e pelos lados, e o sinal que sobra sai pela única abertura, o vidro fosco, apontando para o chão em vez de apontar para o roteador.

A antena da lâmpada é minúscula, uma trilha impressa na placa, sem nenhum reforço. Ela já trabalha no limite quando o roteador está dois cômodos adiante. Com a casca de metal por cima, a conexão cai e volta, e o aplicativo marca o aparelho como indisponível.

POR QUE O METAL ENGOLE O WI-FI

Theodore S. Rappaport, em Wireless Communications: Principles and Practice, de 2002, descreve os objetos metálicos como os obstáculos que mais atenuam a propagação do rádio em ambientes internos, porque refletem quase toda a energia que chega a eles em vez de deixá-la passar.

O teste com uma lâmpada custa menos de cem reais e responde às duas perguntas que a embalagem cala: se o sinal atravessa aquele plafon e se a eletrônica aguenta o calor lá dentro. Uma lâmpada inteligente de wi-fi de nove watts sai por volta de cinquenta a oitenta reais nas lojas grandes, e ela vira instrumento de medição por uma semana.

O soquete escolhido para o teste é o pior do plafon, quase sempre o central, o mais longe da borda e o mais cercado pelas outras lâmpadas. Se a lâmpada aguenta ali, aguenta em qualquer outro ponto da mesma luminária.

Vale também ler o verso da caixa antes de pagar. Muitos fabricantes imprimem, em letra pequena, o aviso de que o produto não deve ser usado em luminária totalmente fechada. Se a lâmpada escolhida traz o aviso, o teste já terminou na prateleira, e a compra muda de modelo.

O teste só vale se tiver roteiro, com medição antes e depois de fechar o vidro, porque a lâmpada que funciona na mão pode sumir dez minutos depois de parafusada.

 
 

II  A Rotina do Dia

Uma semana de teste no soquete central

A semana de teste pede menos de meia hora de trabalho somado, dividida em cinco momentos. O celular serve de medidor: vários aplicativos de lâmpada mostram a força do sinal na tela de detalhes do aparelho, e os que não mostram deixam ver quantas vezes ele ficou desconectado.

O TESTE EM CINCO PASSOS

1Pareie a lâmpada já no soquete central, com o vidro aberto, e anote a força do sinal que o aplicativo mostra em dBm (decibéis em relação a um miliwatt, a unidade que mede a potência recebida). O número é negativo, e quanto mais perto de zero, melhor.
2Feche o vidro, espere cinco minutos e anote de novo. Uma queda grande nesse passo já mostra o efeito da casca de metal, antes de aparecer qualquer falha na rotina.
3Deixe a lâmpada acesa três noites seguidas, das sete à meia-noite, e crie uma rotina simples que a apague sozinha. Cada noite em que a rotina falhar vale uma anotação com o horário.
4Na terceira noite, desligue a lâmpada, abra o vidro e encoste com cuidado o dorso da mão na base plástica, logo acima da rosca. Base morna é normal; base que não dá para segurar com conforto indica calor acumulado que vai encurtar a vida da placa.
5Leve a lâmpada para um soquete comum, fora do plafon e na mesma distância do roteador, e repita a medição do primeiro passo. A diferença entre os dois números mostra quanto do problema vem do metal e quanto vem da distância.

O teste separa dois defeitos que parecem iguais no aplicativo: sinal fraco por distância se resolve perto do roteador, sinal fraco por metal só se resolve mudando a luminária ou a tecnologia da lâmpada. Quando o soquete comum também dá sinal ruim, o culpado é o roteador distante, e um repetidor no corredor pode bastar.

O calor tem causa própria. A placa da lâmpada inteligente leva capacitores eletrolíticos (componentes que guardam carga elétrica e secam com a temperatura), e o fabricante calcula a vida útil deles supondo ar circulando em volta. Dentro de uma cúpula fechada com seis fontes de calor lado a lado, esse ar fica parado, e a peça que cede primeiro costuma ser a placa, não o LED.

Seis lâmpadas de nove watts somam cinquenta e quatro watts dentro da cúpula. Boa parte vira luz, mas a sobra vira calor que só escapa pelo vidro e pelo alumínio, devagar, e acumula noite após noite.

Ao fim da semana, o caderno tem três respostas: se o sinal atravessa, se a rotina aguenta e se a temperatura fica em faixa confortável. Com três respostas positivas, as outras cinco lâmpadas podem ser compradas do mesmo modelo, sem susto.

 

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III  Vale Agora?

Seis lâmpadas, um relé ou outra luminária

Quando o teste reprova, comprar as seis deixa de valer, e a escolha passa a ser entre três caminhos, cada um com custo e trabalho diferentes.

O primeiro caminho é trocar a tecnologia da lâmpada. Lâmpadas Zigbee (protocolo de rádio de baixo consumo em que cada aparelho repete o sinal do vizinho) conversam com uma central própria, que pode ficar na estante da sala, a poucos metros do teto. A casca de metal continua lá, mas a distância até quem escuta cai muito. O custo sobe pela central, comprada à parte quando a casa ainda não tem uma.

O segundo caminho é deixar a inteligência fora da luminária. Um relé inteligente (interruptor comandado por aplicativo, instalado atrás da tecla da parede) liga e desliga o circuito inteiro do plafon, com seis lâmpadas comuns de LED lá em cima. Perde-se a cor e o brilho regulável por lâmpada; ganha-se uma peça só, longe do calor e fora da casca de metal.

A instalação do relé é trabalho de eletricista, porque mexe na caixa da parede com energia viva. Em compensação, as seis lâmpadas comuns custam uma fração das inteligentes, e a conta total costuma sair menor que a do plano original.

O terceiro caminho é trocar o plafon. Luminária de vidro aberto, tecido ou acrílico deixa o sinal passar e o ar circular. Para quem mora de aluguel, a troca também vale: o plafon original volta para o teto no dia da mudança, sem rastro no imóvel.

Existe ainda o plafon inteligente de fábrica, com LED integrado e antena posicionada pelo próprio fabricante fora da área de metal. Ele resolve os dois problemas no projeto e cobra por essa vantagem: quando a placa queima, vai a peça inteira para o descarte.

Na nossa opinião, o relé é a escolha certa para quem só quer acender, apagar e programar horário, que é o uso da maioria das salas. A lâmpada individual só compensa quando a cor e a cena por soquete fazem parte da rotina da família.

Um critério simples vale para qualquer luminária da casa: se ela tem metal por cima e fecha por baixo, a lâmpada inteligente entra primeiro sozinha, por uma semana, antes de ganhar companhia.

"Qual luminária da sua casa tem cúpula de metal fechada e ainda espera a primeira lâmpada inteligente?"

 
 
 
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Quiz da edição

Dentro de um plafon fechado com seis lâmpadas inteligentes, qual peça costuma ceder primeiro ao calor acumulado?

AO LED que produz a luz
BO vidro fosco que fecha a cúpula
CA placa eletrônica logo acima da rosca
DA rosca metálica que encaixa no soquete

Veja o ranking de quem mais acerta 

 
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