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O controle que desliga o ar às quatro da manhã
Um controle universal de infravermelho abaixo de noventa reais decora o botão do aparelho antigo e apaga o ar quando a madrugada já esfriou.
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Controle infravermelho apontado pro ar antigo
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Quatro da manhã, o ar-condicionado do quarto trabalha no mesmo ritmo desde as dez da noite e o quarto já passou do ponto. Você acorda com a ponta do pé gelada, puxa o edredom até o queixo, dorme mais quarenta minutos, acorda de novo com a garganta seca e desiste. Levanta, atravessa o quarto, aponta o controle na direção do aparelho no escuro, aperta duas vezes porque a primeira não pegou, e volta pra cama acordado.
A cena se repete porque o aparelho não erra: ele obedece exatamente ao que foi mandado às dez da noite, quando a laje ainda devolvia o calor do dia inteiro e a sala inteira estava abafada. Às quatro da manhã a rua já esfriou vários graus, a laje já entregou o que tinha pra entregar, e a mesma temperatura que resolvia às dez vira frio demais. O aparelho continua correto e o quarto continua errado.
Quem tem ar-condicionado moderno resolve pelo aplicativo do fabricante em dois toques. O problema mora nos aparelhos de dez, doze anos de casa, o split que veio com o apartamento ou o de janela que a mãe passou adiante. Eles funcionam bem, gelam bem, e não têm wi-fi, não têm aplicativo, não têm timer confiável. Alguns até trazem um temporizador no controle, aquele que desliga em uma, duas, quatro horas, e quase ninguém usa: o número é chutado na hora de dormir e não conversa com a madrugada de verdade.
Existe uma peça pequena que resolve a distância entre o aparelho velho e a rotina que você quer. Ela fica na mesinha do quarto, enxerga o aparelho, decora o comando do controle original e passa a apertar o botão no seu lugar, no horário que você escolher, todas as noites, sem que ninguém precise acordar pra confirmar.
O motivo de fazer a montagem não é a conta de luz. É a temperatura do quarto às quatro da manhã, que é quando o corpo mais sente e menos consegue reagir.
Começando pelo aparelho que decora o botão e pelo que ele custa hoje na prateleira.
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I Abaixo de Cem
Oitenta e nove reais na mesinha do quarto
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A peça central da montagem custa abaixo de noventa reais e cabe na palma da mão. O controle universal de infravermelho é um disco de plástico preto do tamanho de um pote de manteiga pequeno, com um cabo USB atrás e uma faixa de LEDs infravermelhos no topo. Ele pluga em qualquer carregador de celular, entra na rede wi-fi de casa e passa a disparar os mesmos pulsos de luz invisível que o controle original dispara.
Nas varejistas grandes, o modelo mais comum das marcas chinesas populares fica entre setenta e cinco e oitenta e nove reais. Existem versões mais caras, na faixa dos cento e cinquenta, que somam sensor de temperatura e de umidade no próprio corpo. A versão barata resolve a montagem de hoje inteira; a cara só interessa se você quiser mais adiante amarrar o desligamento a uma temperatura medida, e não a um horário.
O aparelho não tem inteligência nenhuma sobre o ar-condicionado. Ele decora ou reconhece o código do controle original e repete o comando quando mandado. A diferença entre decorar e reconhecer vale a explicação, porque muda o trabalho da instalação.
RECONHECER OU DECORAR
Reconhecer é o caminho rápido. O aplicativo pergunta a marca do ar, dispara uma sequência de códigos conhecidos e você confirma qual deles fez o aparelho apitar. Funciona de primeira nas marcas grandes vendidas no Brasil e falha com frequência nos modelos antigos ou nas linhas regionais.
Decorar é o caminho garantido. Você aponta o controle original para o disco, aperta o botão que quer copiar, e o aplicativo grava o pulso exato. Leva um minuto por botão e funciona com qualquer aparelho que ainda tenha o controle original vivo. Guarde essa opção: ela salva a instalação quando a lista de marcas não cobre o seu aparelho.
Três conferências rápidas na hora da compra. A primeira é a linha de visão: o infravermelho não atravessa parede, porta nem a lateral do guarda-roupa, então o disco precisa enxergar a frente do aparelho de onde ele estiver. A segunda é a rede: quase todos esses controles só entram na faixa de 2,4 GHz, e roteador anunciando apenas 5 GHz não completa o cadastro. A terceira é a alimentação: o disco vive plugado, então a tomada da mesinha vai ficar ocupada por ele.
Uma armadilha de compra que devolve produto: existe um acessório parecido, o emissor infravermelho de cabo, que gruda com adesivo na frente do próprio ar. Ele é mais barato e serve só pra um aparelho. O disco de mesa custa alguns reais a mais e cobre também a televisão, o ventilador de teto com controle e o aparelho de som antigo da estante, tudo pelo mesmo aplicativo.
Se o quarto tem tomada livre perto da cama e o controle original ainda funciona, a compra fecha numa linha só do carrinho. O trabalho de verdade acontece depois, no aplicativo. |
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II A Rotina do Dia
Quatro da manhã sem ninguém acordar
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Com o disco plugado e cadastrado, a montagem acontece na parte de automações do aplicativo. O aparelho já responde na tela do celular, mas responder na tela não resolve nada: ninguém vai pegar o telefone às quatro da manhã pra desligar o ar.
COMO MONTAR A ROTINA
| 1 | Pluge o disco na mesinha, com a face voltada pra frente do ar-condicionado, e cadastre na rede de 2,4 GHz com o celular ao lado dele. |
| 2 | Adicione o ar-condicionado como aparelho novo. Tente o reconhecimento automático pela marca primeiro, e confirme quando o aparelho apitar. |
| 3 | Se nenhum código funcionar, troque pra gravação manual: aponte o controle original pro disco e grave o botão de desligar. Grave também o botão de ligar e um comando de temperatura, nessa ordem. |
| 4 | Teste cada botão gravado com o quarto vazio e o aparelho ligado. Botão que não reage precisa de nova gravação, não de mais tentativas. |
| 5 | Crie a automação de desligar: gatilho por horário, quatro da manhã, todos os dias da semana, ação de enviar o comando de desligar pro ar. |
| 6 | Crie uma segunda automação de segurança quinze minutos depois, às 4h15, repetindo o mesmo comando. Comando infravermelho perdido acontece, e a repetição cobre a falha sem custo nenhum. |
| 7 | Salve as duas e confirme que aparecem ativadas na lista. Automação criada e desativada é o defeito mais comum da primeira noite. |
Quatro da manhã não é um número bonito, é o ponto em que a casa e o corpo trabalham a favor do desligamento ao mesmo tempo. A temperatura externa costuma chegar ao mínimo do ciclo pouco antes do amanhecer, e a alvenaria que absorveu sol o dia todo já devolveu o calor guardado. O quarto passa a se segurar sozinho por duas ou três horas, que é justamente o trecho de sono que falta. |
Do lado do corpo, o sono da madrugada tem menos regulação térmica ativa que o começo da noite. É o trecho em que o corpo menos se defende do frio e mais depende do ambiente e da coberta.
P. Ole Fanger mostrou em Thermal Comfort, de 1970, que a sensação de conforto depende da combinação entre temperatura do ar, umidade, roupa e atividade da pessoa, não da temperatura do ar sozinha. O quarto às quatro da manhã tem outra umidade, outro corpo e outra coberta que às dez da noite. O aparelho, sem ajuda, segue tratando as duas horas como se fossem idênticas. |
Falta o plano B, e ele é obrigatório. O controle original continua na mesinha e continua mandando. Se o roteador cair, se o disco for desplugado na faxina ou se o aplicativo atualizar de madrugada, o botão físico resolve do jeito de sempre. Nenhuma montagem barata pode deixar o quarto refém do wi-fi.
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